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 Ramadã - Momento especial para orar pelos muçulmanos
CAIRO, 11 Ago 2010 (AFP) -A maioria dos muçulmanos em todo o mundo começou nesta quarta-feira o mês sagrado do Ramadã, em condições difíceis devido ao calor sufocante e a alta nos preços em vários países. "Este é o início do Ramadã mais difícil em muitos anos. Os preços dispararam, a eletricidade foi cortada, o tráfego é um problema e faz 42 graus" - uma queixa estampada na capa do jornal egípcio Al Gomhuriya. O jejum, que é um dos cinco pilares do Islã, começou nesta quarta-feira no Egito, na Arábia Saudita, na Indonésia, nos Emirados Árabes Unidos, na Jordânia, na Síria e nos territórios palestinos, bem como no Marrocos, na Argélia, na Tunísia, na Líbia, no Afeganistão, na Malásia e em Cingapura. Os xiitas do Irã e do Iraque começarão nesta quinta-feira, assim como os indianos e os paquistaneses, que esperam que a lua marque o início do nono mês lunar islâmico antes de iniciar o jejum. Durante o mês sagrado, os muçulmanos se abstêm de comer, beber, fumar e manter relações sexuais do amanhecer até o pôr do sol. O jejum é suavizdo com uma refeição diária, 'iftar'. Este ano, o Ramadã será realizado no mês de agosto, em condições particularmente rigorosas em muitos países por causa do calor do verão boreal e da longa duração do jejum. No Egito, as autoridades decidiram implementar o horário de Inverno, para adiantar em uma hora o pôr do sol. Nos Emirados Árabes Unidos, um decreto religioso autorizou os operários expostos ao calor a quebrar o jejum para não terem problemas de saúde. Para combater o aumento dos preços dos alimentos, comum em muitos países muçulmanos durante o Ramadã, a Síria estabilizará os preços dos produtos básicos e o governo da Mauritânia anunciou "medidas urgentes". No Egito, o governo garantiu que o preço do pão subsidiado, alimento básico de milhões de pessoas, não aumentaria, apesar da suspensão das exportações de trigo da Rússia. O Ramadã, que comemora a revelação do Alcorão ao profeta Maomé pelo Arcanjo Gabriel, é um mês de ascese e espiritualidade. Em Gaza, o movimento islâmico Hamas, que controla o território palestino, libertou 100 prisioneiros, inclusive alguns membros do movimento rival Fatah. Nos Emirados, os não muçulmanos foram alertados para não comer ou beber em público. "Violar as virtudes do mês de jejum é um insulto aos muçulmanos e um ato criminoso punível por lei", afirmou o coronel Mohamed Nasser al Razuqi, da polícia de Dubai.
 O que é o Ramadã? por Juliana Suzuhara
Ramadã é um período de jejum praticado pelos muçulmanos, com cerca de 29 dias de duração. Neste ano, o mês do ramadã será celebrado entre os dias 11 de agosto e 9 de setembro. É chamado assim por ocorrer durante o nono mês do calendário islâmico, chamado ramadã. Os muçulmanos acreditam que foi nesse mês que Alá começou a revelar sua palavra, o Alcorão, ao profeta Maomé.
Todos que atingiram a puberdade devem jejuar e o primeiro jejum de uma pessoa é considerado uma grande alegria. Grávidas, lactantes, mulheres no periodo menstrual, idosos, crianças e enfermos ficam dispensados de praticar o ramadã. o início e o término do jejum são definidos de acordo com a posição da lua, o que significa que a cada ano, essas datas avriam. O que nunca muda é a motivação do ramadã. Não é apenas um período de abstinência: é preciso ler mais o alcorão e, além das cinco orações diárias, deve-se fazer uma oração chamada taraweeh (oração noturna).
O jejum é feito entre o nascer e o pôr do sol. O dia começa com o suhoor, uma refeição feita ainda de madrugada, e termina com o iftar, a refeição que quebra o jejum do dia. É um momento de celebrar com a família e os amigos. Atualmente, as pessoas de outras religiões podem ser convidadas para o iftar e alguns cristãos oferecem o mesmo a amigos muçulmanos. Se alguém comer, beber ou tiver relações sexuais durante esse período, deverá alimentar 60 pobres ou jejuar por 60 dias.
Há duas grandes celebrações nesse período. Na noite do 26º para o 27º dia do Ramadã, celebra-se o laylat al-kadr (noite do decreto), pois se acredita que foi nessa noite que Alá começou a falar com Maomé. Alguns oram durante toda a noite e fazem seus pedidos mais especiais a Alá. No fim do jejum ocorre o eid ul-fitr, um banquete seguido de três dias de comemoração. É proibido jejuar nesse período.
Nos lugares onde o islamismo não predomina, como o Brasil, praticar o Ramadã é um desafio maior, pois é preciso se adaptar ao ritmo da sociedade. Ocasiões comuns, como almoços de negócios, se tornam um problema. Além disso, os muçulmanos sentem falta do clima festivo presente nos lugares de maioria muçulmana, que ficam enfeitados e iluminados, de maneira parecida com o natal cristão. Nesses locais, os dias do eid ul-fitr são considerados feriados.
Daniel Calze Gestor Executivo, PMI-Brasil
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